Natureza e preço atraem paulistanos à Granja Viana


Condomínios de casas de estilo rústico ganharam novos moradores em busca de contato com a natureza e de preços menores do que os de imóveis de luxo na capital O charme bucólico, a boa infraestrutura de serviços e o custo/benefício dos imóveis na Granja Viana, bairro a 30 quilômetros a oeste do centro da capital paulista, sempre foram os principais atrativos para quem adotava o local como moradia — em geral, casas espaçosas em condomínios com apelo rústico e cercados de natureza, marca registrada da região.
Esse conjunto sedutor de características aguçou o interesse das incorporadoras imobiliárias, gerando um boom de empreendimentos imobiliário nos últimos anos, quando a pandemia fez muitos paulistanos “descobrirem” a Granja.
O resultado está demonstrado nos números do estudo produzido pelo Secovi-SP e pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). Em 2021, 61,8% das pessoas que alugaram uma casa por 12 meses para testar o bairro acabaram comprando um imóvel. E outras 38,2% renovaram o contrato de locação. Entre os motivos alegados para a decisão, 52,9% citaram a qualidade de vida. Para 20,5%, a razão foi o valor do investimento.
A relação de preço é gritante. Enquanto o metro quadrado de alto padrão em bairros como Pinheiros ou Moema gira em torno de R$ 30 mil, na Granja o valor não ultrapassa os R$ 12 mil. Por isso, grande parte dos novos moradores é oriunda de bairros das zonas Oeste e Sul de São Paulo, que também oferecem ótima qualidade de vida, mas a custos mais salgados.
“Desde 2020, tivemos um aumento de 70% nas locações de imóveis e de 50% nas vendas”, conta Luiza Fernandes, diretora de Desenvolvimento de Negócios da Granja Negócios Imobiliários. O trecho mais desejado fica entre os quilômetros 23 e 26 da Rodovia Raposo Tavares, onde estão condomínios de luxo como Palos Verdes, Alpha da Granja, Golf Village, Jardim Mediterrâneo e Silvino Pereira.
Com o aquecimento do mercado, o preço médio dos terrenos subiu 40%, enquanto os imóveis prontos nessas localidades valorizaram 30%. “São casas confortáveis, de 500 metros quadrados em média, construídas em terrenos com o dobro dessa área”, explica Camila Gibin, sócia da Bricks Empreendimentos Imobiliários.
Com a consolidação do trabalho híbrido ou remoto — que eliminou a necessidade de deslocamento até a capital via Raposo Tavares —, a projeção é que os negócios na região permaneçam movimentados.
LANÇAMENTOS
A julgar pelos últimos empreendimentos da região colocados no mercado, essa expectativa será cumprida. Em março deste ano, a GP Desenvolvimento Imobiliário lançou a Quinta dos Lagos, loteamento de alto padrão no quilômetro 28 da Raposo, com 101 lotes a partir de 500 metros quadrados e um club house com academia, piscina e rooftop bar. “Mesmo com preços acima de R$ 900 o metro quadrado, 25% do estoque já foi vendido”, conta Caio Portugal, sócio e CEO da companhia.
Mesmo produtos de metragens mais modestas, de até 150 metros quadrados, têm tido boa aceitação. No fim de 2020, o Ekko Live — Granja Viana teve 65% de suas casas vendidas no dia do lançamento. São unidades com piscina privativa e plantas customizáveis, a R$ 7,2 mil o metro quadrado.
O sucesso estimulou a incorporadora Ekko Group a lançar outros dois condomínios similares, em julho e novembro do ano passado, com casas pouco maiores e incluindo apartamentos — pouco comuns na Granja — de até 135 metros quadrados.
“O perfil dos compradores é formado por pessoas entre 25 e 45 anos, casados ou em união estável, metade com imóvel próprio na região metropolitana de São Paulo”, explica Diego Dias, CEO do Ekko Group. “São profissionais liberais que têm em comum a possibilidade de trabalhar em casa ou com horários mais flexíveis, que os livra do trânsito da rodovia nos horários de pico”, complementa.
De fazenda de gado leiteiro a condomínios de alto luxo
No lugar das residências atuais já existiram plantações de eucaliptos, lavouras de hortaliças e até criação de vacas holandesas, para a produção de leite e queijos
Paróquia de Santo Antônio, construída nos anos 1950, foi uma das primeiras construções do bairro
REPRODUÇÃO/GRANJAVIANA.COM.BR
Situado entre os municípios de Cotia e Carapicuíba, o nascimento do bairro da Granja Viana remonta ao início do século XX, quando Niso Vianna, um industrial do ramo de fertilizantes, adquiriu diversos lotes de terra da antiga Fazenda Carapocuyba.
Outras famílias fizeram o mesmo, como a de José Giorgi, dono da Fazenda Cabanas (ou Moinho Velho) e a família Junqueira de Aquino, proprietária da Fazendinha. Historiadores contam ainda que havia uma comunidade de agricultores japoneses na região, que cultivava frutas, verduras e legumes e deu origem à Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC).
Nos anos 1930, os Viannas eram donos de uma grande área entre os quilômetros 22 e 24 da Raposo Tavares até o condomínio Granja Velha, que pertencia a eles também. Niso passou a plantar eucaliptos, buscando atender à demanda por madeira para a queima em olarias e siderúrgicas que cresciam rapidamente em São Paulo.
No paralelo, seu irmão, Genuíno, passou a importar gado leiteiro da Holanda e dos Estados Unidos, dentro de uma pequena propriedade agrícola: uma granja. Eis a origem do nome: a granja dos Viannas.
Ambos os negócios deram certo, mas, na década de 1950, as terras dos Viannas começaram a ser loteadas. A primeira foi a Vila Santo Antônio de Carapicuíba, no miolo da Granja, onde rotarianos decidiram construir casas de campo. Na década de 1960, surgiram as Chácaras do Lago, Refúgio, São Fernando e São João.
Mas foi somente nos anos 1970 que a especulação imobiliária se intensificou com os primeiros loteamentos residenciais fechados. Atualmente, os “granjeiros” — nome dado aos moradores da Granja — discutem qual a melhor maneira de explorar o mercado imobiliário sem prejuízo à famosa qualidade de vida da região.

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